Familiares de presos políticos iniciam greve de fome na Venezuela
Familiares de um preso político deitam-se no chão durante protesto em frente à prisão. FEDERICO PARRA / AFP Familiares de presos políticos iniciaram neste ...
Familiares de um preso político deitam-se no chão durante protesto em frente à prisão. FEDERICO PARRA / AFP Familiares de presos políticos iniciaram neste sábado (14) uma greve de fome em Caracas para pressionar por mais libertações, após o adiamento da aprovação de uma lei de anistia no país. Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados das celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, na capital da Venezuela. De máscara, cerca de dez mulheres deitaram em fila na entrada da Zona 7, onde familiares acampam há mais de um mês. Ao lado, deixaram uma lista com os nomes das grevistas escrita à mão. Elas pedem celeridade na libertação de seus familiares como parte de um processo de liberações que a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou em 8 de janeiro, sob forte pressão de Washington. LEIA TAMBÉM: Papa pede 'jejum' de palavras ofensivas nas redes sociais e na política durante a Quaresma Veja os vídeos que estão em alta no g1 Muitas dormiam ao amanhecer, quando haviam programado o início do protesto. "Dormir acalma a fome", avaliou uma delas, sob anonimato. "Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo. Já temos muitíssimo tempo nisso", disse à AFP Evelin Quiaro, 46 anos, funcionária do serviço de migração e mãe de um preso político. Quiaro comeu pela última vez depois da 1h da manhã: biscoitos com presunto. "Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida", confessou Quiaro sobre a greve. Seu filho, de 30 anos, está detido desde novembro de 2025. Ele foi acusado de terrorismo, associação criminosa e financiamento ao terrorismo. "O significado principal e o único é que finalmente nos deem respostas concretas sobre a libertação de todos os rapazes que estão ali dentro, todos", explicou Quiaro. Entre os libertados durante a madrugada estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), que estava preso desde novembro sem ordem judicial, informou o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos na rede X. "Medida drástica" No poder após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro em uma intervenção militar americana, Rodríguez propôs uma lei de anistia em 30 de janeiro. A discussão final para sua aprovação foi adiada duas vezes. Em teoria, abrangerá os 27 anos do chavismo e espera-se que essa legislação resulte na liberdade plena de centenas de detidos. De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão. "O que estamos pedindo com isso é que todos sejam libertados, como nos foi prometido", afirmou outra grevista, Sachare Torrez, de 23 anos. O próprio presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, esteve nas imediações dessas celas em Caracas em 6 de fevereiro. "Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos", prometeu Rodríguez durante um encontro com familiares de detidos por motivos políticos na Zona 7, e adiantou que a lei de anistia seria aprovada pela Assembleia Nacional em 10 de fevereiro. No entanto, a aprovação foi adiada para a próxima semana por divergências entre os deputados sobre seu alcance e o papel do Poder Judiciário em sua aplicação. Pouco depois, vários familiares de presos políticos se acorrentaram uns aos outros em frente à entrada da prisão Zona 7. Neste sábado, optaram por aumentar a pressão com a greve de fome. "Com isso é óbvio que vamos nos esgotar muito mais (...) mas já é uma medida drástica que consideramos necessária para acabar com tudo isso", afirmou Quiaro, deitada e com um guarda-sol para se proteger do calor intenso. A próxima sessão legislativa está prevista para 19 de fevereiro.