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Governo paraguaio se reúne com embaixador brasileiro, manifesta 'repúdio' a fala de Lula e pede devolução de canhões de guerra

O presidente Lula durante cerimônia em Brasília, em 22 de julho de 2026 REUTERS/Adriano Machado O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai divulgou u...

Governo paraguaio se reúne com embaixador brasileiro, manifesta 'repúdio' a fala de Lula e pede devolução de canhões de guerra
Governo paraguaio se reúne com embaixador brasileiro, manifesta 'repúdio' a fala de Lula e pede devolução de canhões de guerra (Foto: Reprodução)

O presidente Lula durante cerimônia em Brasília, em 22 de julho de 2026 REUTERS/Adriano Machado O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai divulgou um comunicado nesta sexta-feira (31) no qual informou que o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano entregaram ao embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, uma nota em "rejeição" a declarações do presidente Lula, na qual pede também a devoluão de troféus de guerra tomados pelo Brasil no século XIX. O encontro aconteceu após o governo paraguaio ter tomado conhecimento de que, em um evento no estado de São Paulo, o presidente Lula se referiu à guerra do Paraguai. 🔎 Na última sexta-feira (24), Lula fez um discurso em Jacareí (SP) defendendo investimentos para a defesa nacional. Ele afirmou que o Brasil gosta de paz, mas que não poderia se esquecer da Guerra do Paraguai, no século 19. Conforme o comunicado divulgado nesta sexta, o vice-presidente e o chanceler paraguaios que o Brasil e o Paraguai são países "irmãos" e, diante disso, apresentaram ao embaixador um caminho para "fechar definitivamente as feridas" da guerra. A nota também pede a "devolução do canhão 'Presidente López', do canhão 'Cristiano' e de outros troféus de guerra" que ficaram com o Brasil após a vitória no conflito, no século XIX. “O governo do Paraguai entregou [no encontro com o embaixador] uma nota na qual expressou seu desagrado e seu absoluto repúdio às recentes declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios da Guerra da Tríplice Aliança”, afirma um trecho do comunicado divulgado pela chancelaria paraguaia. “O governo sustenta que as manifestações representam de maneira distorcida feitos históricos de singular relevância para o povo paraguaio e enfatiza que os acontecimentos que marcaram profundamente a história de ambas nações devem ser abordadas com responsabilidades, respeito recíproco e espírito de reconciliação”, diz um outro trecho. Embaixadores negam intenção de ofender Conforme relatos de integrantes da diplomacia brasileira, durante o encontro, o embaixador José Marcondes explicou o contexto no qual as declarações de Lula foram dadas e afirmou que “em nenhum momento houve intenção de ofender o Paraguai.” “Ele lembrou a histórica amizade do Brasil com o Paraguai, reforçada nos períodos em que o Presidente Lula governa o Brasil”, declarou um diplomata a par da reunião desta sexta. Propostas do Paraguai Conforme a nota divulgada pela chancelaria do Paraguai, o país fez uma série de pedidos ao Brasil como forma de “fechar feridas”, entre as quais: devolução dos canhões Presidente López e Cristiano; devolução de demais troféus de guerra; devolução de documentos da guerra. Guerra do Paraguai A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. Travada entre 1864 e 1870, ela colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito começou em meio a disputas políticas na região do Rio da Prata. Em 1864, o governo brasileiro interveio militarmente no Uruguai durante uma guerra civil no país vizinho. O então ditador paraguaio, Francisco Solano López, considerou a ação uma ameaça ao equilíbrio regional e reagiu apreendendo um navio brasileiro e declarando guerra ao Brasil. A guerra se estendeu por quase seis anos e teve algumas das batalhas mais sangrentas da história do continente, como Tuiuti, em 1866. Apesar de sucessos militares iniciais, os paraguaios passaram a sofrer sucessivas derrotas à medida que o conflito avançava. As consequências foram especialmente severas para o Paraguai. Além da destruição de boa parte da infraestrutura do país e da perda de territórios, o conflito provocou uma grave crise demográfica.

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