Ilha remota no Atlântico fecha o único aeroporto por falta de segurança, e turistas ficam presos
Uma das ilhas mais remotas no planeta está agora quase completamente desconectada do resto do mundo. Santa Helena, território ultramarino britânico situado e...
Uma das ilhas mais remotas no planeta está agora quase completamente desconectada do resto do mundo. Santa Helena, território ultramarino britânico situado entre Brasil e Angola, teve o único aeroporto fechado nesta semana. A imprensa local informou que turistas estão presos na ilha sem que haja previsão segura para a volta das operações. Segundo as autoridades locais "a decisão se baseia em requisitos internacionais fixos de segurança e na falta de confiança na prontidão operacional dos caminhões de bombeiros, o que significa que o aeroporto não pode apoiar com segurança as operações de voo padrão neste momento". A expectativa do governo é que pelo menos todos os voos até 20 de fevereiro sejam afetados. A ilha, com área de cerca de 120 quilômetros quadrados e pouco menos de 5 mil moradores, é normalmente servida com voos semanais para o aeroporto de Joanesburgo. Também há um voo mensal conectando Santa Helena à Ilha de Ascensão. Hoje, segundo o governo, Iates e navios de cruzeiro também frequentam a ilha, principalmente de outubro a abril, devido à sua localização no meio do Atlântico. Um serviço provisório de transporte de carga opera a partir de Luanda, com uma rota de aproximadamente 21 dias. Refúgio de Napoleão Inaugurado há quase uma década, o aeroporto colocou Santa Helena na rota turística mundial. Até então, era uma ilha bucólica amplamente conhecida pelo seu papel histórico. Foi lá, a 3 mil quilômetros do Brasil, que Napoleão Bonaparte se exilou em 1815, após perder a Batalha de Waterloo e uma viagem de dez semanas de navio. Em 2017, o trajeto para alcançar o refúgio do imperador francês já durava bem menos, "apenas" cinco dias atravessando mares agitados de navio a partir da África do Sul. Com a chegada dos aviões, a viagem foi reduzida a seis horas. Agora, o retorno à velha rotina traz perturbações para a ilha, onde o turismo se tornou atividade econômica central. "Nós reconhecemos que isso afetará muitas pessoas, incluindo aquelas com planos de viagem futuros, aquelas que esperam visitantes e indivíduos com necessidades médicas urgentes que exigem viagens para fora da ilha", disse o governo de Santa Helena nesta semana. Santa Helena foi descoberta pelo almirante português João da Nova, que regressava da Índia quando avistou a ilha. Ele chegou em 21 de maio de 1502, no local onde hoje se encontra Jamestown. Durante anos, a ilha serviu como escala para os marinheiros, que ali abasteciam seus navios com água potável e frutas, até que os britânicos começaram a se estabelecer. Desde 1988, Santa Helena tem a própria Constituição, mas continua sendo um território britânico ultramarino. 'Elefante branco' Não é a primeira vez, entretanto, que o aeroporto, financiado pelo Reino Unido, deu sinais de problema. Suas operações já foram interrompidas por causa de fortes ventos. Em 2016, a comissão de contas públicas do país chamou o terminal de "elefante branco", classificando como um "fiasco" o investimento de 285 milhões de libras esterlinas no seu planejamento e construção (o equivalente hoje a R$ 2 bilhões). Em relatório, o órgão apontou que a imprevisibilidade dos ventos "produz condições perigosas na aproximação ao aeroporto e foi observada em Santa Helena por Charles Darwin em 1836". "Embora o aeroporto tenha recebido um pequeno número de voos, as condições do vento impediram a operação do serviço comercial planejado para a ilha." Segundo a BBC, o governo britânico foi alertado sobre a situação e uma equipe especializada se estabeleceu na ilha para trabalhar na reabertura do aeroporto.