Netanyahu ordena expansão da ofensiva militar de Israel no sul do Líbano
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém, na quinta-feira, 19 de março de 2026. Ronen Zvulun...
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém, na quinta-feira, 19 de março de 2026. Ronen Zvulun, Pool Photo via AP O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo (29) a expansão da ofensiva militar de Israel no sul do Líbano. Ele afirmou que instruiu as forças armadas a expandirem ainda mais a chamada “zona de segurança” e prometeu "mudar de forma fundamental a situação de segurança na região." “Acabo de instruir a ampliação adicional da atual zona de segurança. Estamos determinados a mudar fundamentalmente a situação no norte”, disse Netanyahu, em um comunicado em vídeo a partir do Comando Norte. Ele disse que a decisão busca reforçar a segurança de Israel na fronteira norte, em meio às tensões na região, onde confrontos entre os dois lados aumentam o risco de uma escalada mais ampla do conflito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Invasão de Israel no Líbano Israel anunciou no dia 16 neste mês o início de "operações terrestres limitadas" no sul do Líbano contra o grupo terrorista libanês Hezbollah. A ação, na prática, foi uma invasão de território. O conflito fez com que 1 milhão de libaneses tivessem que deixar suas casas. No dia 22 deste mês, tropas israelenses começaram a demolir pontes sobre o rio Litani, que conectam uma faixa de 30 km no sul do Líbano ao restante do país. Dois dias depois, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que estabeleceria uma "zona de segurança" no sul do Líbano e que os militares israelenses passariam a controlar as pontes remanescentes na região. “Todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani", afirmou Katz, na ocasião. O governo do Líbano, por sua vez, acusou Israel de querer criar uma "zona-tampão" no sul do país, termo bélico para denominar uma faixa de território criada para separar forças hostis e reduzir a chance de confronto direto entre elas. Ela é usada como uma área de contenção entre duas frentes de combate. O rio Litani, que cruza o Líbano quase inteiramente de leste a oeste, é importante na guerra entre Israel e o Hezbollah porque uma resolução da ONU de 2006, criada para estabelecer outro cessar-fogo, determinou que o grupo terrorista deveria se retirar de áreas no sul do Líbano e utilizou o rio como referência. Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução. Irã diz se preparar para ataque dos EUA O Irã afirmou neste domingo (29) estar pronto para reagir a um possível ataque terrestre dos Estados Unidos e acusou Washington de preparar uma ofensiva por terra enquanto, ao mesmo tempo, fala em negociações. A declaração ocorre em meio a esforços diplomáticos de países da região, que se reúnem no Paquistão para tentar encerrar o conflito. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, disse que os EUA enviam sinais de diálogo, mas estariam, nos bastidores, planejando o envio de tropas. Segundo ele, o Irã está preparado para reagir caso isso aconteça. “Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação”, afirmou. “Nossos ataques continuam. Nossos mísseis estão posicionados. Nossa determinação e fé aumentaram", acrescentou. A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, e rapidamente se espalhou pelo Oriente Médio. No sábado (28), os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, fizeram seus primeiros ataques contra Israel desde o início do conflito. Esses ataques aumentam o risco para o transporte marítimo global, já afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos no mundo. Ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram neste domingo (29), em Islamabad, para discutir formas de encerrar a guerra, que já dura um mês e deixou milhares de mortos. As primeiras discussões se concentraram em propostas para reabrir o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural. Entre as propostas discutidas, estão a criação de um sistema de tarifas inspirado no modelo do Canal de Suez e a formação de um consórcio internacional para administrar o fluxo de petróleo pela rota. 1 mês de guerra no Irã: relembre as vezes em que Trump 'cantou vitória' Movimentação militar dos EUA Os Estados Unidos enviaram milhares de fuzileiros navais ao Oriente Médio. O primeiro de dois contingentes chegou na sexta-feira (27) a bordo de um navio de assalto anfíbio, segundo o Exército americano. ➡️Um navio de assalto anfíbio é um tipo de navio militar projetado para levar tropas, veículos e aeronaves até a costa e lançar uma invasão a partir do mar. O jornal Washington Post informou que o Pentágono se prepara para operações terrestres no Irã, que poderiam incluir ações de forças especiais e tropas convencionais. Ainda não há confirmação de que o presidente Donald Trump autorizará esse plano. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas disse que o envio de forças amplia as opções do governo. Conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês Tentativas de negociação O Paquistão tenta atuar como mediador entre Washington e Teerã e sedia negociações neste domingo. No sábado, o primeiro-ministro paquistanês conversou com o presidente iraniano. O chanceler paquistanês também teve reuniões com representantes da Turquia e do Egito antes das conversas mais amplas. Além disso, há contatos militares em andamento. O chefe do Exército do Paquistão mantém diálogo com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, segundo fontes. O Paquistão vem se consolidando como um importante canal diplomático no conflito, por manter relações próximas tanto com Teerã quanto com Washington. A Turquia também trabalha, junto a outros países, em uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz — medida considerada essencial para reduzir as tensões. Os Estados Unidos apresentaram recentemente um plano de cessar-fogo com 15 pontos, que incluía a reabertura do estreito e limites ao programa nuclear iraniano. O Irã rejeitou a proposta e apresentou suas próprias condições. Ataques continuam Enquanto as negociações avançam lentamente, os combates seguem intensos. Neste domingo (29), a Adama, fabricante de insumos agrícolas e produtos para proteção de cultivos, informou que sua unidade Makhteshim, no sul de Israel, foi atingida por um míssil iraniano ou por destroços de um míssil, mas que não houve registro de feridos. A empresa, que faz parte do grupo chinês Syngenta Group, afirmou que ainda não é possível saber a extensão dos danos. Também neste domingo, o Exército do Kuwait, aliado dos EUA, informou que 10 militares ficaram feridos após um ataque com míssil a uma base militar. O local sofreu danos materiais depois de ser alvo de 14 mísseis balísticos e 12 drones nas últimas 24 horas. Já a Universidade em Isfahan, no Irã, afirma ter sido atingida por ataque conjunto dos EUA e de Israel Em Teerã, um prédio que abriga uma emissora de TV do Catar também foi atingido. No sul do Irã, cinco pessoas morreram após um ataque a um cais na cidade de Bandar-e-Khamir, segundo a mídia estatal. No sábado (28), Israel afirmou que atingiu instalações ligadas à produção de armas em Teerã, incluindo depósitos e centros de fabricação. No Líbano, Israel também realizou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah e matou três jornalistas, além de um soldado libanês. Riscos à navegação e à economia O Irã mantém ataques contra Israel e países do Golfo. No Iraque, defesas aéreas interceptaram drones perto de autoridades locais. Com o Estreito de Ormuz fechado, cresce a preocupação com outras rotas marítimas, como o Mar Vermelho, após a entrada dos houthis no conflito. Especialistas alertam que uma escalada nesses ataques pode pressionar ainda mais a economia global. O presidente Donald Trump ameaçou atingir instalações energéticas iranianas caso o país não reabra o estreito, mas deu um prazo adicional de 10 dias.