'Uma civilização inteira morrerá': Irã, políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump
Trump sobre Irã: 'Uma civilização inteira morrerá esta noite' A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que "uma civilização intei...
Trump sobre Irã: 'Uma civilização inteira morrerá esta noite' A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que "uma civilização inteira morrerá nesta noite [de terça-feira (7)]" gerou reações no Irã, na ONU, entre políticos e de diferentes correntes nos EUA e do Papa Leão XIV. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra A fala faz parte das ameaças de Trump ao Irã em meio à escalada das tensões na guerra que envolve o país, Israel e os Estados Unidos. O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira (7) para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel. Após declarações de autoridades iranianas indicando que Teerã não deve ceder às ameaças dos EUA, Trump disse que não quer "que isso [o ataque] aconteça, mas provavelmente acontecerá", e condenou o atual regime, que está no comando do país há 47 anos. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", afirmou. Chefe da ONU está 'muito preocupado' com declarações O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou nesta terça-feira (7) sua preocupação com a ameaça do presidente Donald Trump de acabar com “toda uma civilização” caso o Irã se recuse a aceitar as exigências dos EUA. “O secretário-geral está muito preocupado com as declarações que ouvimos ontem e novamente esta manhã, declarações que sugerem que todo um povo ou toda uma civilização poderiam ser obrigados a suportar as consequências de decisões políticas e militares”, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric. Irã chama ameaça de potencial genocídio e diz que 'não ficará de braços cruzados' O enviado iraniano na ONU afirmou nesta terça-feira (7) que Teerã não ficará de braços cruzados se Trump cumprir as ameaças de "crimes de guerra". Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump de que "toda uma civilização morrerá" se o Irã não fechar um acordo, "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais. "O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", disse ele. Aliados e opositores de Trump criticam fala sobre Irã e alertam para risco de escalada militar A declaração do presidente Donald Trump gerou críticas em diferentes espectros políticos dos EUA, segundo o The Wall Street Journal. O senador Ron Johnson, do partido republicano (o mesmo que Trump), afirmou que não apoia um possível bombardeio americano contra infraestrutura civil iraniana. “Acho que seria um grande erro”, disse. O influente podcaster de direita Tucker Carlson também criticou a possibilidade de escalada militar, afirmando que autoridades americanas deveriam resistir a qualquer tentativa de ataques em massa que possam matar civis iranianos. Já o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do partido democrata, chamou Trump de “uma pessoa extremamente doente” após o presidente afirmar que “uma civilização inteira morrerá”. Na Câmara, a liderança democrata pediu o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã. Além disso, a ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris chamou as ameaças de Donald Trump contra o Irã de "abomináveis" em um post na rede social X, nesta terça-feira (7). A democrata, que perdeu as últimas eleições para Trump, afirmou: "O presidente dos Estados Unidos está ameaçando cometer crimes de guerra e exterminar uma "civilização inteira" — tudo porque ele mesmo iniciou uma guerra desastrosa e não tinha plano nem estratégia para terminá-la. Isso é abominável, e o povo americano não apoia isso. A imprudência de Trump está colocando desnecessariamente nossos bravos militares em perigo, destruindo a posição dos Estados Unidos no cenário internacional e tornando a vida ainda mais cara para o povo americano. Devemos todos nos opor a isso e nos opor ao financiamento dessa guerra ilegal por escolha própria", escreveu. Papa Leão XIV classifica como 'inaceitáveis' ameaças contra todo o povo do Irã Papa Leão XIV Guglielmo Mangiapane/Reuters O Papa Leão XIV chamou de “inaceitáveis” as ameaças contra todo o povo do Irã durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (7). Nos últimos dias, o pontífice tem intensificado críticas ao conflito no Oriente Médio. Em 29 de março, ele afirmou que Deus não escuta as orações de líderes que promovem a guerra. Agora, Leão fez um novo apelo e pediu que cidadãos de todo o mundo entrem em contato com representantes políticos e cobrem o fim da guerra. Ele disse ainda que todos precisam pensar nas vítimas do conflito, incluindo crianças. Em referência às ameaças de Trump de bombardear pontes e usinas de energia, o papa afirmou que ataques à infraestrutura civil são violações do direito internacional. "A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral", afirmou.